domingo, 6 de novembro de 2011

É necessário ter estômago de hiena para digerir Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho é considerado “filósofo” e jornalista brasileiro. Participante de um movimento de esquerda na sua juventude, hoje é um dos críticos dos movimentos esquerditas - existe alguma
diferença entre os direitistas que justifique dizer esquerdista senão
extremistas para ambos os lados?. O mesmo não chegou a concluir o
curso de Filosofia iniciado na PUC, no entanto, ele mesmo se intitula
filósofo - tudo bem, não quero supor que só pode ser filósofo quem
tem o alvará institucional!
Carvalho não reside no Brasil, reside nos EUA e faz de alguns campos sociais do Brasil os seus principais alvos de crítica, entre eles, parte da intelectualidade. Também odeia a filósofa Marilena Chauí, a USP, os “uspianos e uma lista de movimentos sociais que entra no seu rol de desafetos. Já trabalhou, entre outros, como colunista do jornal “O Globo” e na revista “Época”, sendo desligado por razões que o mesmo considera inexplicadas. - Mas certamente que cargos nesses
meios muito diz sobre Olavo Carvalho.
Olavo costuma aparecer sentado sobre uma estátua de Lênin, ironicamente, em razão das suas idéias - digo, ideologia - não suportarem o comunismo. Rótulo este que Carvalho costuma designar para quem não seja complacente com o que ele pensa, também usado como sinônimo de narcotraficantes, assassinos e delinquentes.
Esses dados rasos, salvo os grifos que são comentários meus, obtive através do Wikipédia. Passo então ao site pessoal do Olavo Carvalho, para uma análise não profunda, mas não meramente informativa.
Olavo diz em seu site que está nos EUA com uma missão (Apelo urgente de Olavo Carvalho a seus leitores). Seu papel e seu discurso são semelhantes ao de um higienista. Carvalho objetiva denunciar os podres do Brasil ao maior número de pessoas. Para ele o Brasil está infestado de esquerdistas: “O objetivo imediato é conscientizar a elite americana da loucura que faz ao dar suporte político, jornalístico e financeiro a organizações latino-americanas de esquerda que, por baixo de uma persuasiva máscara democrática e legalista, conspiram com o Foro de São Paulo para a disseminação do caos revolucionário no continente.” - Não, não duvide, é realmente a elite americana que esse apóstolo político quer exortar para a limpeza política.
Essa espécie de filósofo que age enquanto um “político não-político frustrado”, chega a ingenuidade de afirmar que: “Primeiro: os EUA não são o Brasil, onde o Executivo pode mudar o curso das coisas a seu belprazer. Aqui, tudo depende de longas discussões, da conquista dos corações e mentes da elite formadora da opinião pública, do exercício, em suma, da democracia. No Brasil, já nem sabem o que é isso.”
Olavo é orador do Tio Sam, e é de lá do aconchego do país que ele
chama de real democracia, que ele vê um Brasil infestado de
esquerdistas, infestado por um bando de pobres e intelectuais de elite, com estopins para movimentos reacionários e ideológicos. Cabe aqui uma correção da minha parte: não é só no Brasil, Olavo começa no Brasil, mas enquadra a América Latina inteira como um grande centro infestado por reacionários. Olavo quer fazer o papel de uma espécie de anjo-da-guarda da democracia estadunidense, o derradeiro cordeiro que vai denunciar esse mar de assassinos e delinquentes comunistas localizado na América Latina.
Nesse nobre papel de delinquente - desculpe-me Olavo por usar o seu termo preferido -, esse pseudofilósofo e político sem cargo político, pede a colaboração dos seus leitores para custear suas ações benfeitoras higienistas para convencer os nobres senhores democradas dos EUA a “limpar” a América Latina: “Para isso, usei de todos os recursos com que contava: conferências, artigos, cartas, telefonemas, distribuão de provas e documentos, inumeráveis conversações pessoais. De vez em quando coloco no meu site algumas amostras do que tenho feito.” - diz-nos Carvalho sobre o seu militarismo.
Perguntemos: por que Olavo não luta aqui no Brasil para limpar seu país de reacionários, intelectuais de elite e partidários ideológicos? Por que ele correu debaixo da saia americana para pedir ajuda para limpar a América Latina? Limpar mais do que já fizeram os europeus e americanos?
Não estou aqui exercendo patriotismo e tampouco chego a ingenuidade de achar que lá na “democracia americana” as coisas realmente funcionam como deveriam. Isso não é uma crítica a Olavo, dizem que para fazer uma crítica é necessário conhecer a obra do autor, nobre trabalho, pois é necessário serdelinquente o suficiente para conseguir mergulhar no rio poluído de idéias degradantes que Carvalho oferece. Cheguei a ler um artigo estupidamente insensato de Carvalho (Relendo Nietzsche) onde o mesmo compara Nietzsche a um metafísico que apela aos instintos: sejamos complacentes, afinal, Olavo abandonou o curso de Filosofia. É necessário ter estômago de hiena - quem sabe de abutre ou urubu - para conseguir digerir os livros de Carvalho.
Esse filósofo de quinta categoria, combatente dos extremistas por extremismo, coronel sem cargo político, é um grande religioso do liberalismo norte-americano. No mundo desse sádico liberal só existem dois grupos, os de esquerda e os de direita, os que ficam no primeiro grupo, de Marx, Fidel e Che Guevara, são assassinos, narcotraficantes edeli nquentes; os do segundo grupo são avançados e eruditos. Em resumo, o primeiro diz respeito a América Latina, o segundo aos Estados Unidos.
Para esse religioso do liberalismo e súdito da democracia por excelência, que a seu ver é a praticada pelos Estados Unidos, tem como critério primário, verificar se se é de esquerda, se for não é possível iniciar conversa com a nobreza dos pensadores liberais
Enfim, deixo Olavo Carvalho por aqui. Não se deve levar muito a sério esses parvos intelectuais de elite - novamente peço desculpas ao Olavo por usar seu próprio rótulo contra eles mesmo -, é necessário dar-lhes o direito de fazerem seus grupinhos de orgias degradantes. Que fique ao Renato Azevedo, ao Diogo Mainardi e ao Arnaldo Jabor a boa-ação de contribuir com o extremismo higiênico de Olavo Carvalho.

sábado, 5 de novembro de 2011

Charge

Saúde, educação, cultura e outra lição de Cuba, o esporte

Encerrados os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, os resultados dos cinco primeiros países colocados exibem o seguinte:
 
EUA: 92 de ouro, 79 de prata e 65 de bronze. Total: 236 
Cuba: 58 de ouro, 35 de prata e 43 de bronze. Total: 136 
Brasil: 48 de ouro, 35 de prata e 58 de bronze. Total: 141  
México: 42 de ouro, 41 de prata e 50 de bronze. Total: 133
Canadá: 30 de ouro, 40 de prata e 49 de bronze. Total: 119
 
Cumpre inicialmente ressaltar que a ODEPA (Organização Desportiva Panamericana) inflou a competição, sabe-se lá por que razão, com esportes praticados por poucos países e dentro desses países por pouca gente, geralmente endinheirada. Além disso, são esportes que, fundamentalmente, têm pouca ou nenhuma tradição olímpica, mas que garantem preciosas medalhas: badminton, squash, boliche, raquetebol, softbol, pelota basca, karatê, boxe feminino, esqui aquático, patinagem, ciclismo de montanha, ciclismo BMX, vela I 24, vela laser radial, vela RSX feminino, vela RSX masculino, vela sunfish, ginástica de trampolim, rugby. Para se ter uma idéia, o México, país anfitrião, de suas 42 medalhas de ouro, uma terça parte foi assegurada por esses esportes: 4 no squash, 5 no raquetebol, 5 na pelota basca.
 
A cobertura da nossa imprensa escrita e televisionada foi basicamente distorcida em relação à essência dos resultados e patrioteira ao ressaltar apenas as medalhas de ouro dos atletas brasileiros sem atentar para a análise da qualidade do desempenho. A cobertura da TV Record, que deteve os direitos de transmissão, pecou pelos mesmos motivos, embora diante das evidências das imagens tivesse que esboçar críticas e observações com algum critério técnico.
 
À parte os Estados Unidos, grande e tradicional potência desportiva e olímpica, que de resto não enviou a Guadalajara seus principais atletas, a grande vencedora foi a equipe de Cuba. Muitos mais uma vez se perguntam como um país de apenas 11,2 milhões de habitantes, com parcos recursos econômicos, bloqueado há mais de 50 anos pelo poderoso vizinho do norte, consegue tão destacadas resultados essencialmente nas modalidades tradicionalmente olímpicas nas quais concentra seus esforços.
 
Em primeiro lugar, a educação física é realmente um direito do povo e maciçamente praticada em Cuba. Dezenas de milhares de treinadores observam e peneiram na prática diária dos exercícios físicos na rede de ensino básico, médio e universidades crianças e jovens com talento para a prática deste ou daquele esporte. Levam-nos posteriormente para a iniciação e formação numa dada modalidade. Observados, os melhores são conduzidos para os centros de alto rendimento onde são burilados, recebem treinamento específico e são cercados de atenção adequada.
 
Outro aspecto a destacar é que absolutamente todos os atletas se preparam e se exercitam no próprio território cubano com treinadores, técnicos, professores de educação física, fisioterapeutas, médicos desportivos, árbitros, nutricionistas, massagistas, administradores desportivos e chefias cubanos. Cuba chega até a exportar técnicos para outros países, como é o caso do próprio Brasil. Não há um único atleta nascido em Cuba, que treine e more no exterior, sob os cuidados de técnicos estrangeiros e membro de equipes locais. Todo e qualquer resultado atlético, positivo ou não, é fruto autenticamente cubano dos esforços da própria nação, nunca de um isolado talento individual ou de esforços individuais.
 
Para se ter uma idéia estatística do valor da performance cubana, deixando de lado os Estados Unidos que não levaram sua principal força, comparemos os resultados do segundo, terceiro e quarto colocados em relação à população e ao poderio econômico. Cuba tem 11,2 milhões de habitantes e 70 bilhões de dólares de PIB; Brasil, 193 milhões e 1,7 trilhão; México, 112 milhões e 900 bilhões. Desse modo, cada medalha dourada de Cuba corresponde a 193 mil habitantes e 1,2 bilhões de dólares; Brasil a 4,021 milhões de habitantes e 35,4 bilhões de dólares; México a 2,660 milhões de habitantes e 21,4 bilhões de dólares.  
 
Finalmente, dois comentários mais sobre o boxe e o atletismo, duas modalidades olímpicas tradicionais. Quando no Pan do Rio em 2007, os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara desertaram de sua equipe, atraídos pelos acenos pecuniários de empresários alemães, a grande mídia brasileira exultou. As manchetes estampavam: pugilistas fogem para a liberdade. Localizados, foram deportados para Cuba. Os meios de comunicação locais estrebucharam: os boxeadores foram devolvidos pelo governo brasileiro para serem vítimas da vingança dos Castro. Pouco tempo depois, Rigondeaux e Lara saíram normalmente de Cuba e foram para Miami em busca de riqueza e glória. Hoje lutam muito pouco. Dependem de inescrupulosos empresários. A fama e o dinheiro se esvaem. Mais adiante, com o passar do tempo, quando não mais puderem lutar, serão jogados fora como laranjas chupadas. Teófilo Stevenson e Félix Savón, tricampeões olímpicos de boxe, jamais abandonaram suas equipes nem o seu país, apesar dos milionários convites para se profissionalizar. Quando encerraram a carreira, passaram a treinar e formar novos campeões. Têm a admiração e a amizade dos seus pupilos e do povo de seu país. Em Guadalajara, com equipe totalmente renovada e muito jovem, o boxe cubano de 10 categorias disputadas participou de nove – não levou o super-pesado. Ganhou 8 medalhas de ouro e só perdeu uma luta, a de mosca.
 
Quanto ao atletismo, o esporte olímpico por excelência, o único que pode ostentar o dístico “citius, altius, fortius’ – mais rápido, mais alto, mais forte – em que raramente um só atleta consegue levar mais de duas medalhas, jamais, 5, 6 ou 7, Cuba de 47 provas disputadas conquistou 19 medalhas de ouro e o Brasil, 10. Ainda que se leve em conta que os Estados Unidos não mandaram sua equipe principal nem a Jamaica seus extraordinários velocistas, os atletas cubanos realizaram em 7 provas marcas que os colocariam no pódio olímpico: vara feminino com Yarisley Silva; 400 com barreiras com Omar Cisneros; vara masculino com Lázaro Borges; dardo masculino com Guillermo Martinez; 110 c/barreiras com Dayron Robles; martelo feminino com Yipsi Moreno e disco feminino com Yarelis Barrios.
 
Se o Brasil, país de população jovem, seguir a lição de Cuba: massificação da prática desportiva nas escolas de todos os graus, construção de instalações adequadas nos colégios e universidades, formação de milhares de profissionais do esporte com a missão básica de buscar e peneirar talentos, para mais tarde formá-los e burilá-los em centros de treinamento de alto rendimento, certamente será também uma potência olímpica e das mais poderosas.

Que não se roube a Salvador Allende seu último gesto

No último dia 11 de setembro, no Twitter, em meio às memorializações do 38º aniversário do golpe militar que derrocou o presidente chileno legitimamente eleito, Dr. Salvador Allende, causou-me estupefação a quantidade de perfis que reiteraram a falsidade histórica de que Allende teria sido “assassinado”. Creio entender a lógica que regiria esse tipo de gesto, mas sempre acreditei que quando se falsifica a verdade histórica supostamente em favor de um projeto político, sacrifica-se não só aquela, mas também este. A mentira acerca do passado nunca serviu a oprimido nenhum. Pouparei o leitor da lista de profissionais conhecidos que repetiram a falsificação, mas basta dizer que o perfil oficial da TeleSur foi um deles. Passo à reconstrução dos momentos finais de Allende e a sugestões para o leitor que esteja interessado em se aprofundar no tema.
A recente autópsia que selou o fato veio apenas oficializar o que já era de conhecimento dos historiadores do período, das seis testemunhas diretas (quatro delas sobreviventes), da família Allende, da última leva de pessoas que deixou La Moneda no começo da tarde de 11/09/73 e, no fundo, da própria fração da esquerda que se dedicou a disseminar a falsidade, sem entender a profunda significação do gesto do Dr. Allende. Ainda nas memorializações deste ano, era possível observar pseudônimos no Twitter brasileiro dedicando-se a difamar o Dr. Patricio Bustos, diretor do corpo de 12 forenses, 7 chilenos e 5 estrangeiros, que confirmou o já sabido. Entre essas tentativas de difamação, havia a “descoberta” de Dr. Bustos recebera “dinheiro da Fundação Ford”, logo seguida da requentada, velha falsidade de que “a Fundação Ford repassa dinheiro da CIA”. Às vezes a esquerda se parece bastante à direita.

Mais uma guerra para aliviar crises?

O jornal inglês The Guardian anuncia hoje que existe uma escalada para preparar um ataque militar ao Irã. A Inglaterra estaria se preparando para atuar como ponta-de-lança de uma ofensiva norteamericana sobre o país. Segundo o jornal, o motivo alegado seria o relatório da Agência Internacional de Energia Nuclear, cuja divulgação está prevista para o dia 8, que, segundo dizem os americanos, concluiria que o programa nuclear iraniano teria finalidades militares.
Embora o Irã o negue e tenha se oferecido, com a mediação do Brasil e da Turquia, a manter fora do país as reservas de urânio enriquecido produzida suas centrífugas, se tiver mesmo propósitos militares não é diferente do que fizeram os países desenvolvidos e, ali na região, a Índia, o Paquistão e, sobretudo Israel, nenhum deles tendo sido vítima de sanções internacionais e muito menos ameaças de ataques.
Ao contrário, Israel testou ontem uma nova versão do seu míssil balístico Jericoh, com capacidade de transportar ogivas nucleares.
É curioso como todos se dispõe a gastar bilhões com guerras, mas não com o reequilíbrio da economia. Ou será que a guerra faz parte do bom funcionamento da economia?
De qualquer forma, os países emergentes devem aproveitar o momento “pires na mão” para dizer: com guerra, sem ajuda.

E eu acreditei...

A história de que o deputado Marcelo Freixo estaria indo para a Europa em busca de proteção, a convite da Anistia Internacional, era fraude.
Ainda que tenha sofrido ameaça da parte de milicianos, ele não está indo para um suposto exílio por sentir-se desprotegido no Rio de Janeiro, como a mídia nativa publicou. Era tudo uma jogada de marketing político para alavancar a candidatura do deputado no ano que vem e para desqualificar a imagem do governo carioca.

Leia o post abaixo publicado no Blog do Mello

Nota da Anistia Internacional afirma que Freixo foi convidado para dar palestras na Europa, não fala em 'exílio' e elogia proteção do governo do Rio ao Deputado
Nota assinada pela Anistia Internacional e pela Front Line Defenders (uma Fundação Internacional criada para proteger os defensores dos Direitos Humanos no mundo) informa que o Deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) foi convidado "para viajar à Europa a fim de falar sobre a expansão das milícias, faz parte de uma campanha internacional que já dura alguns anos".
"Com tal propósito, a Front Line Defenders e a Anistia Internacional convidaram Marcelo Freixo a visitar a Europa em apoio a sua campanha, para encontrar-se com autoridades e ativistas de direitos humanos a fim de captar apoios que fortaleçam essa ação internacional."

Ao final, reconhecem o esforço do governo do Rio de Janeiro na proteção ao Deputado e pedem medidas mais efetivas contra as milícias:
"A Front Line Defenders e a Anistia Internacional reconhecem que as autoridades estaduais têm continuamente fornecido proteção armada ao Deputado, e que tal proteção está sendo atualmente reforçada. Entretanto, está na hora de as autoridades federais, estaduais e municipais implementarem as recomendações pendentes da CPI das Milícias, a fim de garantir que todos os cidadãos do Rio de Janeiro possam viver com mais paz e segurança."

O texto original da Nota v. encontra no site do Front Line Defenders

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Estado policial americano


Quem será o próximo,
depois da Líbia?

Se os planos de Washington forem bem-sucedidos, a Líbia vai se tornar mais um Estado fantoche dos Estados Unidos. A maior parte das cidades e infraestruturas foi destruída por ataques das forças aéreas dos EUA e dos seus fantoches da Otan.

Paul Craig Roberts, Global Research
Empresas estadunidenses e europeias agora obterão polpudos contratos, financiados pelos contribuintes norte-americanos, para reconstruir a Líbia. O novo parque imobiliário será cuidadosamente concedido a uma nova classe dirigente escolhida por Washington. Isto colocará a Líbia firmemente sob as patas de Washington.

Com a Líbia conquistada, o Africom começará a olhar para os outros países africanos nos quais a China tem investimentos em energia e mineração. Obama já enviou tropas para a África Central sob o pretexto de derrotar o Exército da Resistência de Deus, uma pequena insurgência contra o ditador vitalício.

O porta-voz republicano da Câmara, John Boehner, saudou a perspectiva de mais uma guerra ao declarar que o envio de tropas dos EUA para a África Central "promove os interesses estadunidenses de segurança nacional e a sua política externa". O senador republicano James Inhofe acrescentou mais alguns dedos de prosa sobre a nobre ação de salvar "crianças ugandesas", uma preocupação que o senador não teve com as crianças da Líbia, da Palestina, do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão.

Washington ressuscitou o Jogo da Superpotência e está competindo com a China. Mas enquanto a China faz investimentos e ofertas de infraestrutura à África, Washington envia tropas, bombas e bases militares. Mais cedo ou mais tarde a agressividade de Washington em relação à China e à Rússia irá explodir nas nossas caras.

De onde vem o dinheiro para financiar o Império Africano de Washington? Não é do petróleo líbio. Grandes porções do mesmo foram prometidas aos franceses e britânicos, que deram cobertura a esta última guerra aberta de agressão. Não de receitas fiscais de uma economia estadunidense em colapso, onde o desemprego, se medido corretamente, é de 23%.

Como o deficit do orçamento anual de Washington tão enorme como é, o dinheiro só pode vir das máquinas de impressão.

Washington já fez as máquinas de impressão trabalharem o suficiente para elevar o índice de preços ao consumidor – urbano (CPI-U) a 3,9% ao ano (até o fim de setembro), o índice de preços ao consumidor – para trabalhadores e empregados administrativos (CPI-W) a 4,4% ao ano e o índice de preço no produtor (PPI) a 6,9% ao ano.

Como mostra o estatístico John Williams (shadowstats.com), as medidas oficiais de inflação são manipuladas a fim de manter baixos os ajustes de custo de vista para os que recebem da Seguridade Social, o que poupa dinheiro que será usado nas guerras de Washington. Quando medida corretamente, a taxa de inflação atual dos EUA é de 11,5%.

Que taxa de juros podem obter os poupadores sem assumir riscos maciços com os títulos gregos? Os bancos dos EUA pagam menos do que 0,5% nos depósitos de poupança assegurados pelo FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation). Títulos a curto prazo do governo dos EUA pagam essencialmente zero.

Portanto, de acordo com estatísticas oficiais do governo estadunidense, os poupadores norte-americanos perdem anualmente entre 3,9% e 4,4% do seu capital. Segundo a estimativa da taxa real de inflação feita por John Williams, os poupadores dos EUA perdem hoje 11,5% das suas poupanças acumuladas.

Quando norte-americanos aposentados não recebem juros sobre as suas poupanças, eles têm de gastar o seu capital. A capacidade deles de sobreviverem, mesmo os mais prudentes, com as taxas de juro negativas que recebem e a erosão pela inflação de quaisquer pensões que recebam chegará a um fim uma vez que seus ativos acumulados sejam exauridos.

Exceto para os multimilionários protegidos de Washington, o 1% que capturou todos os ganhos de rendimento dos últimos anos, o resto dos EUA foi remetido para o caixote do lixo. Nada, o que quer que seja, foi feito para eles desde o golpe da crise financeira de dezembro de 2007. Bush e Obama, republicanos e democratas, centraram-se em salvar o 1% enquanto davam de ombros para os 99%.

Finalmente, alguns norte-americanos, embora não em número suficiente, entenderam o "patriotismo" desfraldador de bandeira que os remeteu para o caixote do lixo da história. Eles não vão afundar sem um combate e estão nas ruas. O Occupy Wall Street propaga-se. Qual será o destino deste movimento?

Será que a neve e o gelo do inverno vão acabar com os protestos, ou os remeterá para dentro de edifícios públicos? Quanto tempo as autoridades locais, subservientes a Washington como são, toleram o sinal óbvio de que falta à população qualquer confiança que seja no governo?

Se os protestos perdurarem, especialmente se crescerem e não forem dobrados, as autoridades infiltrarão os manifestantes com provocadores da polícia, que dispararão contra os policiais. Isto será a desculpa para abaterem os manifestantes e prenderem os sobreviventes como "terroristas" ou "extremistas internos" e enviá-los para os campos de US$ 385 milhões construídos por contrato do governo dos EUA pela Halliburton de Cheney.

Em seguida o Estado policial Amerikano

O Estado Policial Amerikano terá dado seu passo seguinte para o Estado de Campo de Concentração Amerikano.

Enquanto isso, perdidos na sua inconsciência, conservadores continuarão a resmungar acerca da ruína do país devido ao casamento homossexual, ao aborto e às mídias "liberais". Organizações liberais comprometidas com a liberdade civil, tais como a ACLU, continuarão a equiparar o direito da mulher a um aborto com a defesa da Constituição dos EUA. A Anistia Internacional apoiará Washington, demonizando o seu próximo alvo de ataque militar enquanto fecha os olhos aos crimes de guerra do presidente Obama.

Quando consideramos que Israel, sob a proteção de Washington, tem escapado impune – apesar de crimes de guerra, assassinatos de crianças, a expulsão em total desrespeito ao direito internacional de palestinos da sua terra ancestral, da derrubada das suas casas com bulldozers e da extração das suas oliveiras a fim de entregar terras a "colonos" fanáticos – podemos apenas concluir que Washington, o viabilizador de Israel, pode ir muito mais longe.

Nestes poucos anos de início do século 21, Washington destruiu a Constituição dos Estados Unidos, a separação de poderes, o direito internacional, a responsabilidade do governo e sacrificou todo princípio moral a fim de alcançar a hegemonia sobre o mundo inteiro. Esta agenda ambiciosa é empreendida ao mesmo tempo que Washington acaba com toda a regulamentação sobre Wall Street, o lar da cobiça maciça, permitindo ao horizonte de curto prazo de Wall Street arruinar a economia do país, destruindo portanto a base econômica para o assalto de Washington ao mundo.

Será que os EUA entrarão em colapso, num caos econômico, antes de dominarem o mundo?

Fonte: Global Research

Ele merece?


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello disse ao iG que mereceria ganhar um pouco mais que os R$ 26,7 mil que recebe mensalmente. Você querido leitor, concorda?

Cuba na Unesco

Discurso de Miguel Diaz-Canel, Ministro da Educação Superior de Cuba na Assembleia Geral da Unesco:

“O mundo vive indignado. Os povos se rebelam contra as injustiças e as promessas vazias. Se indignam pelas frustrações acumuladas e pela ausência de esperanças. Se rebelam contra um sistema devastador que já não pode seguir enganando com um falso rosto humano. Um sistema que continua marginalizando as maiorias excluídas, em benefício de um punhado de privilegiados que possuem tudo. Que não repara no resgate de banqueiros corruptos que multiplicam seus lucros, enquanto diminuem os recursos para a educação, a saúde ou a criação de empregos.

A crise do sistema capitalista é sistêmica e multisetorial. É crise financeira, econômica e social e também ética. Os poderosos apostam na guerra como recurso de sua salvação. Repartem o mundo entre si impunemente e encarregam a tarefa à belicosa OTAN. Ainda não terminaram de destruir a Líbia e já ameaçam a Síria. Quem de nós irá segui-los?

São as guerras de novo tipo com armas que se chamam “inteligentes” mas que matam e destroem indiscriminadamente. São guerras de conquista para se apropriar dos recursos energéticos e minerais com os quais oxigenar suas vorazes economias. Com a cumplicidade de seus empórios midiáticos, que agem também como armas no combate, pretendem convencer-nos da “mudança de regime” e da “responsabilidade de proteger”. É a nova filosofia colocada em prática para o mesmo objetivo de continuar explorando-nos.

A única ofensiva que não podem livrar suas armas nem suas vorazes empresas, a única contenda legítima que não estão dispostos a empreender, é a necessária contra a fome, o analfabetismo, a incultura e a pobreza para, efetivamente, democratizar a democracia, proteger os excluídos e mudar a atual ordem mundial.

A UNESCO, que na sua carta constitutiva declarou; “dado que as guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens que devem se erigir os baluartes da paz˜, está chamada a desempenhar um papel de vanguarda na incansável luta por um mundo melhor, em que os seres humanos possam viver livres do temos e da ignorância.

É na UNESCO onde devem levantar-se as armas da educação, da ciência e da cultura para lutar pela paz e pela compreensão mútuas, para que as bombas deixem de matar e mutilar os seres humanos, para que não se destruam as escolas, nem os museus, para que a ciência progrida nos laboratórios e a cultura enriqueça o mundo espiritual. Para que as gerações presentes e futuras possas desfrutar da beleza única e irreprodutível do sistema e seus mais de 900 lugares de patrimônio mundial.

Para isso é preciso refundar a Organização e será necessário fazê-lo com maios pressa e decisão. A reforma em curso, que empreendeu nossa ativa e enérgica Diretora Geral, necessita chegar até os próprios cimentos da instituição. Deve ser profunda e radical. Deve reposicionar e tornar mais visível nossa ação. Deve sair dos escritórios burocráticos para chegar às pessoas comuns e atender suas necessidades elementares, aquelas que temos como mandato.


A educação tem que ser a verdadeira prioridade das prioridades, tanto no compromisso político como no financeiro. É inadmissível que no mundo existam quase 800 milhoes de analfabetos, dos quais 2/3 são mulheres. É inadmissível que quase 70 milhões de crianças não tenham uma escola onde receber a luz da educação.

Cuba, pobre e bloqueada, com seu método de alfabetização “Eu Posso, Sim”, conseguiu em pouco tempo e com escassos recursos, mas com enorme paixão solidária, alfabetizar 5.706.082 pessoas em 28 países da América Latina e Caribe, África, Europa e Oceania. Agradecemos à Diretora Geral seu reconhecimento à eficácia deste programa como método de cooperação Sul-Sul, assim como sua disposição reiterada de acolher as boas práticas no âmbito da educação.

A 36 Conferência Geral deve deixar estabelecidas as pautas da mudança e do reposicionamento da UNESCO no sistema multilateral.

A Conferência deve se pronunciar ademais, e esperamos que o faça de maneira clara e inequívoca, em relação a um tema de transcendental importância: a admissão da Palestina como Estado membro da UNESCO. Não se trata de uma opção. Resulta uma obrigação ética e moral diante da cruel e prolongada injustiça que sofre o povo palestino. Cuba deseja reiterar seu firme e decidido apoio à solicitação da Palestina e espera que a decisão de seu ingresso à UNESCO contribua aos objetivos da paz e da universalidade que animam à nossa organização.

Não devo concluir minhas palavras, sem reclamar e exigir, em nome do povo cubano, a libertação de nossos cinco heróis, quatro deles injustamente prisioneiros em prisões do império e um, René, cumprindo uma pena adicional des três anos falsamente denominada “liberdade vigiada”.

Cuba, que segue firmemente comprometida com a UNESCO e com os valores que esta representa, confina na liderança da Diretora Geral, para o fortalecimento e refundação da Organização.

Urariano Mota: Lula, o marqueteiro do câncer

por Urariano Mota, em Direto da Redação

Recife (PE) – A julgar pelos comentários apaixonados que gerou, o câncer na laringe de Lula foi, é um sucesso. Das chamadas redes sociais, do Twitter, do Facebook, do Youtube a todo o universo do mar, terra, ar, e internet, o câncer do ex-presidente veio provar, do modo mais paradoxal, que Lula está hoje ainda mais vivo e bulindo. Penso que até as sondas espaciais, os laboratórios distantíssimos em órbita, que rondam além do nosso sistema planetário, já transmitem para os ETs que no Brasil há um cara que, ao ser presenteado com um câncer, virou mais notícia que todos os astros do esporte, da televisão e do cinema.
O Jornal Nacional se vê obrigado a noticiar a doença, sério, grave (é do estilo),  ainda que em doses homeopáticas, louco de raiva, possesso, por não fazer do caso uma grande telenovela jornalística. Lembram-se da magnífica obra-prima do horror no acidente da TAM? Os capítulos tinham nomes: “O maior desastre da aviação brasileira … Duas tragédias em dez meses… Tristeza e indignação na madrugada em São Paulo… A aflição das famílias das vítimas em Porto Alegre… O medo de quem mora próximo a Congonhas”.
Mas desta vez, não abusem por favor, creiam na criação, se o Jornal Nacional está sem os próximos capítulos, pelo menos possui o título geral: “Lula, o pau de arara que nasceu para o câncer”. Imaginem como isso prepararia bem o lindo obituário, já pronto: “Lula, enfim, descansa em paz!” Desgraçado, que nós também.
Como isso é possível? Como é que Lula, fora da presidência, quando, e guardo a esperança de que os verbos dos seus adversários, inimigos, estejam nesta gradação: quando o queriam e desejavam e apostavam que ele estivesse desaparecido, se possível morto, pois para Deus nada é impossível, como pode o ameno barbudo voltar com tal onipresença, da terra à lua? Eis que na pesquisa na web, entre os comentários mais entusiasmados e criadores, descobri a razão. Escolho para vocês estas pérolas, das quais limpo o português mais sujo:
“Nada de novo, pessoal. Trabalho com marketing há mil anos e sei o que houve. O que fazer quando a sua imagem está a ponto de detonar (quase dez ministros detonados), com o processo do mensalão em andamento, inflação crescente, o diabo, o que é que se faz? Cria-se um fato novo! O povo precisa ter pena do cara,  não é mesmo? Que câncer, que nada! Isso é pura armação de um bandido mentiroso e que não tem saída. Só um câncer arranjado. Matei? O cara é muito malandro, ele não está nada com câncer, é pura jogada dos marqueteiros da petralha. Matei?”
Ao que outro mais culto, com as luzes e o método arguto do que o bravo imagina ser a ciência política, desvendou melhor as patas do caranguejo:
“A divulgação manipulada do estado de saúde prevalece igual ao do líder venezuelano Hugo Chávez. O conhecimento público do seu câncer o favorece na reeleição do ano que vem, entendem? É mais um mistério que ainda envolve a gravidade da doença, talvez porque sua veiculação dispararia a sucessão de um líder egocêntrico demais para deixar herdeiros. Mataram a charada?”
E finalmente, esta pepita de ouro que ilustra o sucesso internacional do câncer de Lula no mundo e na história:
“Devagar, pessoal, o ‘universo’ está dando uma boa mão para nós terráqueos e limpando a terra dos esquerdistas. Senão, vejamos: o Kadaffi já morreu, o Fidel Castro está agonizando, o Hugo Chaves está agonizando, o Kim Jong-il da Coreia do Norte está agonizando, agora o Lula está com o câncer. Viva o câncer!”.
A essas linhas bárbaras, que festejavam a morte geral na esquerda, reagiu rápido uma leitora espirituosa, como se fosse a voz da consciência entre caranguejos, animais e fúria:
“Tudo agonizando, não é? E o Capitalismo também…. Ahahahahaha”
Em resumo, amigos: nunca se viu, em toda história, um marqueteiro do câncer como Lula. Sucesso universal e absoluto.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Lula está bem humorado e alegre.

31/10/2011 - Acompanhado de D. Marisa, Lula chega ao Hospital para começar o tratamento e conversa com os médicos.

A presidenta Dilma Rousseff visitou o presidente Lula nesta segunda-feira, quando ele iniciou o tratamento com quimioterapia.

Ao lado de Guido Mantega, a Presidenta Dilma visita Lula em São Paulo, na segunda-feira, quando ele recebeu a primeira aplicação de quimioterapia. Lula deve volta para casa na terça-feira.

Dilma disse que Lula está de bom humor, alegre, e não está preocupado com a doença, nem com o tratamento. O que ele quis conversar foi sobre o encontro do G-20 (grupo dos países de maior economia do mundo) para onde Dilma está indo sacudir os gringos para tirarem a Europa da urucubaca da crise internacional o mais rápido possível.



A Presidenta disse que Lula comentou também da "reporcagem" do Fantástico, ao querer desqualificar o programa Minha, Casa, Minha Vida, com mais de 1 milhão de contratos de moradias, por causa de 2 casos de fraudadores.

A gente não tem nada contra noticiar fraudes que existam, e é até bom. Quando a Polícia Federal faz uma limpa nos fraudadores de dinheiro público, e sai no noticiário, desestimula quem é vacilão a não sair da linha.

O errado está na ênfase dada na reporcagem, de querer fazer propaganda contra o programa habitacional, prestando um desserviço ao cidadão brasileiro, ao desestimular as pessoas a procurarem a Caixa Econômica para conseguirem a casa própria.

"As chances de cura são muito boas”, prevê o médico.

A equipe que fará o tratamento do câncer ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê que as sessões de quimioterapia e radioterapia devem terminar em fevereiro de 2012. Após ser diagnosticado com câncer na laringe no último sábado (28), o ex-presidente começou nesta segunda-feira (31) a primeira sessão de quimioterapia no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e deve deixar o local nesta terça (1º), após exames e aplicações de medicamentos.

De acordo com a equipe médica, chefiada por Roberto Kalil Filho, Lula será submetido a três sessões de quimioterapia, cada uma dela com um ciclo de 21 dias. Após a aplicação desses medicamentos, que deve terminar no final de 2011, Lula deverá começar a radioterapia, com previsão de término para fevereiro de 2012.

Segundo Kalil Filho, daqui a cerca de 40 dias, entre o segundo e o terceiro ciclo de quimioterapia, será feita uma avaliação para saber se os medicamentos estão surtindo efeito e se o tratamento continuará como o previsto.

“Nossa expectativa é de que o tratamento tenha sucesso. As chances de cura são muito boas”, prevê o médico Paulo Hoff, que faz parte da equipe.

O médico Luiz Paulo Kowalski informou que uma possível cirurgia foi descartada porque o tumor, que tem entre 2 e 3 centímetros, está muito próximo às cordas vocais, e uma operação poderia comprometer a sua voz. “O tumor é de tamanho intermediário e não se fixou nas cordas vocais. Foi descoberto a tempo, e isso permite que Lula receba um tratamento mais conservador”, afirmou. “Há pelo menos 15 anos, em situações como a dele, se indica a quimio e a radioterapia”, disse Kowalski.

Paulo Hoff acrescentou que a escolha do tratamento com quimioterapia e radioterapia, descartando a cirurgia, foi uma decisão médica. Ele afirmou que mesmo o tratamento mais brando pode causar pequena alteração de voz, mas a previsão é de que não haja nenhum impacto na fala de Lula.

A equipe médica informou que Lula poderá levar uma vida muito próxima ao normal durante o tratamento, mas deverá se manter próximo à sua casa e ao hospital, evitando viagens longas. Além disso, terá que poupar a voz, pois haverá dificuldade para falar. Os médicos também preveem que Lula sofrerá os efeitos colaterais comuns à quimioterapia, como a queda de cabelos.

Segundo Kalil Filho, a situação geral de saúde do ex-presidente é boa, e isso irá ajudar no tratamento. “Lula é uma pessoa saudável, que faz avaliações rotineiras. Não tem nenhum outro problema de a saúde”, disse.

Malditos comunistas!

Em Cuba, se você tiver aptidão para o esporte, vai poder se desenvolver com total apoio do estado. Pô, assim não vale! Do jeito que eles fazem, com escolas para todos, professores especializados e centros de excelência gratuitos, é moleza. Quero ver é fazer que nem a gente, no improviso. Aí, duvido que eles ganhem de nós. Duvido!
Acabaram os jogos Pan-Americanos e mais uma vez ficamos atrás de Cuba.
Mais uma vez!
Isso não está certo. Este paiseco tem apenas 11 milhões de habitantes e o nosso tem 192 milhões. Só a Grande São Paulo já tem mais gente que aquela ilhota.
Quanto à renda per capita, também ganhamos fácil. A deles foi de reles 4,1 mil dólares em 2006. A nossa: 10,2 mil dólares.
Pô, se possuímos 17 vezes mais gente do que eles e nossa renda per capita é quase 2,5 vezes maior, temos que ganhar 40 vezes mais medalhas que aqueles comunas.
Mas neste Pan eles ganharam 58 ouros e nós, apenas 48.
Alguma coisa está errada. Como eles podem ganhar do Brasil, o gigante da América do Sul, a sétima maior economia do mundo?
Já sei! É tudo para fazer propaganda comunista.
A prova é que, em 1959, ano da revolução, Cuba ficou apenas em oitavo lugar no Pan de Chicago. Doze anos depois, no Pan de Cáli, já estava em segundo lugar. Daí em diante, nunca caiu para terceiro. Nos jogos de Havana, em 1991, conseguiu até ficar em primeiro lugar, ganhando dos EUA por 140 a 130 medalhas de ouro.
Sim, é para fazer propaganda do comunismo que os cubanos se esforçam tanto no esporte. E também na saúde (eles têm um médico para cada 169 habitantes, enquanto o Brasil tem um para cada 600) e na educação (a taxa de alfabetização deles é de 99,8%). Além disso, o Índice de Desenvolvimento Humano de Cuba é 0,863, enquanto o nosso é 0,813.
Tudo para fazer propaganda comunista!
Aliás, eles têm nada menos do que trinta mil propagandistas vermelhos na cultura esportiva. Ou professores de educação física, se você preferir. Isso significa um professor para cada 348 habitantes. E logo haverá mais ainda, porque eles têm oito escolas de Educação Física de nível médio, uma faculdade de cultura física em cada província, um instituto de cultura física a nível nacional e uma Escola Internacional de Educação Física e Desportiva.
Há tantos e tão bons técnicos em Cuba que o país chega a exportar alguns. Nas Olimpíadas de Sydney, por um exemplo, havia 36 treinadores cubanos em equipes estrangeiras.
E existem tantos professores porque a Educação Física é matéria obrigatória dentro do sistema nacional de educação.
Até aí, tudo bem. No Brasil a Educação Física também é obrigatória.
A questão é que, se um cubano mostrar certo gosto pelo esporte, pode, gratuitamente, ir para uma das 87 Academias Desportivas Estaduais, para uma das 17 Escolas de Iniciação Desportiva Escolar (EIDE), para uma das 14 Escolas Superiores de Aperfeiçoamento Atlético (ESPA), e, finalmente, para um dos três Centros de Alto Rendimento.
Ou seja, se você tiver aptidão para o esporte, vai poder se desenvolver com total apoio do estado.
Pô, assim não vale!
Do jeito que eles fazem, com escolas para todos, professores especializados e centros de excelência gratuitos, é moleza.
Quero ver é eles ganharem tantas medalhas sendo como nós, um país onde a Educação Física nas escolas é, muitas vezes, apenas o horário do futebol para os meninos e da queimada para as meninas. Quero ver é eles ganharem medalhas com apoio estatal pífio, sem massificar o esporte, sem um aperfeiçoamento crescente e planejado.
Quero ver é fazer que nem a gente, no improviso. Aí, duvido que eles ganhem de nós. Duvido!
Malditos comunistas...
José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998. Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato Falado.